sexta-feira, 16 de abril de 2010

Primeira Impressão

Subi os degraus do ónibus escolar, dando uma ultima respirada no vento fino de uma manha fria. Desejei um Bom Dia ao motorista e passei para o corredor da pequena lata amarela. Antes que pudesse procurar um lugar com clareza, deparei-me com os olhos azuis mais lindos que já podia ter visto. E não era apenas um par de olhos azuis. Eles brilhavam. Brilhavam para mim, junto com um pequeno sorriso que brotou no canto de seus lábios rosados. Antes que alguém pudesse me notar, em pé, e olhando para aqueles olhos, sentei-me no primeiro espaço vazio que encontrei, mas não me rendi e levei meu olhar aonde estava a poucos segundos atrás.
Nunca senti tanta alegria em olhar para alguém. Queria sorrir de volta, mas ele não estava mais me acompanhando com o olhar. Agora estava eu, olhando para um desconhecido, feito boba. E tinha ele, com a cabeça encostada na janela, cabelos castanhos dourados totalmente desgrenhados, olhos fechados e uma expressão de sono tão contagiante, que me fez ter vontade de ir lá e abraçá-lo. Pode parecer ingênuo, ou até dramático, mas... Eu nunca havia me sentido assim antes. Eu precisava conhecê-lo.